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A nova moda na mídia paulista

Uma nova moda ganha corpo nos jornais de São Paulo.

Em se tratando dos problemas da cidade, um esforço é feito nos artigos para restituir a história dos mesmos.

Assim, os uniformes entregues com atraso por Kassab hoje, viram “os uniformes que atrasam desde 2002″ (mas porque não aproveitar e dizer que em 2002 foi a primeira vez que a prefeitura entregou uniformes e material escolar de graça para os alunos da rede municipal. Um atraso… a primeira vez…). As enchentes e pontos de alagamento que não receberam nenhuma atenção da gestão demo-tucana, viram pontos que alagam desde 2002 (mas porque não aproveitar e dizer quantos piscinões foram construídos desde 2002 até 2004, e quantos depois). O vertedouro do Parque Aclimação que não tinha vistoria “desde 1938″ etc., e por aí vai.

Provavelmente se trate de um esforço em favor da formação dos cidadãos no entendimento das raízes históricas dos problemas do Brasil, visando assim a um entendimento melhor das dificuldades para resolver problemas a curto prazo.

Os problemas da cidade não se resolvem em apenas dois mandatos dos atuais gestores. Mesmo contando com muito mais dinheiro que seus predecessores.

Se trata de uma nova modalidade da cobertura jornalistica que introduz uma mudança radical no tratamento da notícia. No passado, mesmo com as finanças destruídas e com o descalabro da administração Pitta, a gestão Marta Suplicy devia resolver os problemas e ponto. O inefável Clóvis Rossi, por exemplo, cobrava resultados após seis meses da gestão petista.

Agora, o que não deixa de ser um progresso, os problemas são restituídos ao seu histórico e assim os responsáveis de várias gestões carregam nas suas costas o produto dos seus “descasos”.

A originalidade já tinha sido introduzida um ano atrás, pelo mesmo Clóvis Rossi para falar do trânsito da cidade. Por isso me parece adequado reproduzir novamente uma nota minha, escrita em 21 de março de 2008, respondendo ao eminente jornalista. Ela vale para a nova modalidade que conquistou o jornalismo na cidade.

Tenho minhas dúvidas sobre a eficiência do método que conquistou as redações dos jornais.

Em todo caso, vale a pena refletir…

Luis Favre

 21/03/2008

Quem o pariu, que o embale

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Clovis Rossi na sua coluna de opinião na Folha de São Paulo expõe sua indignação contra os administradores de São Paulo por conta dos problemas do trânsito.

Dono de inesgotável munição verbal, do alto de sua torre de observação, atira com sua metralhadora girátoria contra todos os prefeitos que, diferentemente dele, nada previram e nada fizeram para poupar os infelizes moradores da paulistéia da vaticinada paralisia.

O grosso da artilharia parece dirigida ao atual ocupante do cargo, Gilberto Kassab, mas aparentemente todos recebem as chicotadas pelo descaso com que trataram a questão do transporte público e o trânsito.

Maluf, Pitta, Marta, Serra no mesmo saco junto com o titular do time dos descompromissados, Gilberto Kassab (estranhamente o único que nada tem a ver é Geraldo Alckmin).

O objetivo de Clóvis é, em verdade, desviar a justa indignação da população contra os verdadeiros responsáveis da incúria com o transporte público, para um genérico “nenhum político presta”, bem confortável para os tucanos hoje na berlinda.

A impostura intelectual é ousada, contando, para ser bem sucedida, da conhecida capacidade do ser humano ao esquecimento e uma grande dose de propaganda. Mas a memória da população não é tão preguiçosa como gostaria Clóvis Rossi e a propaganda dos tucanos, mesmo apoiada nas pregações de alguns veículos de comunicação, não parece suficiente para fazer engolir o engôdo.

Com efeito, como dizer que foi igual o Pitta que tolerou a instauração de quase 30 mil perueiros clandestinos, uma frota de ônibus reduzida e com mais de 10 anos de uso, nenhum investimento em corredores e uma tarifa das mais caras do país, comparado com Marta Suplicy que enfrentou a “máfia do transporte”, regularizou o sistema, obrigou a renovação dos ônibus e instaurou o Bilhete-Único?

Como comparar 4 anos de administração de Marta com os 13 anos de controle tucano do governo estadual, uma boa parte sob comando de Alckmin, que responsáveis pelo metrô, quase nada construíram. A linha 4, prevista para ser entregue agora em 2008, só será parcialmente entregue em 2011. A linha 5 (que liga o Capão Redondo a Santo Amaro) vive às moscas e está parada desde 2002. Como passar sob silêncio que o Rodoanel avançou como tartaruga até hoje, mesmo tendo nas mãos, além do governo estadual, as rédeas do governo federal durante 8 anos?

Ou não é uma impostura intelectual dizer que Marta e Kassab são farinha do mesmo saco, quando a primeira construiu 100 km de corredores e o segundo concluiu apenas 10 Km, dos mais de 200 km programados para serem concluídos até 2008?

Fica evidente que o objetivo do membro do Conselho editorial da Folha não é apontar os responsáveis e sim diluir as responsabilidades, em momentos em que os olhos de toda a população apontam em uma direção que não é do agrado do articulista.

Para quem é arauto da indignação, ter que dar o nome aos bois deveria ser natural. Para quem só posa como tal, a gritaria generalizada basta.

No meu caso, sou adepto do principio de “a César o que é de César…” e aos tucanos e Clóvis Rossi o que é deles.

Quem o pariu, que o embale.

Luis Favre

A seguir o articulo de Clóvis Rossi

CLÓVIS ROSSI

Nem o Duda

SÃO PAULO - Na campanha eleitoral paulistana de 1996, o marqueteiro Duda Mendonça, então a serviço do malufismo ou, mais exatamente, do candidato malufista Celso Pitta, espalhou outdoors pela cidade com a ordem: “Não deixe São Paulo parar”.
À época, escrevi: “São Paulo já parou faz tempo. E o padrinho de Pitta, Paulo Maluf, tem parte da culpa. Quem já foi prefeito, governador e secretário de Transportes deveria ter descoberto que só há um caminho para evitar ou atenuar o colapso do trânsito urbano: transporte coletivo, especialmente metrô, de boa qualidade”.
Doze anos depois, ficamos assim: além do malufismo, diretamente e pela interposta pessoa de Pitta, governaram São Paulo o petismo (Marta Suplicy e, antes dela e de Maluf, Luiza Erundina), o tucanato (José Serra) e agora o demo, digo, o DEM (Gilberto Kassab).
Ou, posto de outra forma, todas as famílias políticas relevantes na cidade e no Estado já tiveram sua chance de “não deixar São Paulo parar” e fracassaram redondamente.
Se, em 1996, já era óbvio que São Paulo havia parado, o que dizer agora?
Talvez bancar o avestruz, como o fez a Secretaria Municipal de Transportes, em carta ao “Painel do Leitor”, para informar que mudou a metodologia de medição dos congestionamentos e os 100 km de antes são iguais aos 200 km de agora.
Deveria, antes de escrever tolices, combinar com o prefeito, que acaba de lançar o seu pacote de trânsito, exatamente porque os congestionamentos se tornaram mais agudos e mais insuportáveis.
Pena que o pacote seja tímido. Desconfio até que meu palpite de 12 anos atrás (transporte coletivo de boa qualidade) esteja superado. Ou, mais exatamente, antes de que se consiga implementá-lo, a cidade vai parar definitiva e irremediavelmente. Não haverá Duda Mendonça capaz de dar jeito.
crossi@uol.com.br

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